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A nova missão de Lula para Gleisi: amarrar acordos para as eleições de 2026

22 de dezembro de 2025
171.3k Visualizações
Tempo de Leitura: 5 Minutos
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Na articulação do governo, a nova ministra das Relações Institucionais assume a função nesta segunda. Ela terá que conversar com outros partidos, tentar construir novas alianças e evitar o desembarque de aliados que já estão com Lula.

O anúncio da chegada de Gleisi Hoffmann na SRI (Secretaria de Relações Institucionais) do Palácio do Planalto surpreendeu até petistas no primeiro momento. Surpresa maior, porém, foi para parlamentares do Centrão, que sonhavam em fincar bandeira no Palácio do Planalto e sempre olharam a presidente do PT como uma política radical, um perfil não alinhado com o que se espera do cargo.

Mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a colocou no cargo por saber que poderá contar com ela para, entre outras missões, ajudar a costurar alianças que poderão perdurar até a disputa em 2026.

No novo papel de chefe da articulação política do governo, precisará repetir a capacidade de diálogo que demonstrou quando conseguiu construir acordos com partidos em torno de Lula em momentos críticos para o petista e para o próprio PT. Essa é a esperança do presidente e, dentro do partido, há consenso de que a montagem da base do governo é uma tarefa que não dá para ser dissociada das amarrações para 2026.

Deputada federal pelo Paraná, Gleisi já demonstrou essa habilidade em outros momentos. Seu trabalho na condução da candidatura petista em 2018, com Lula preso pela Lava Jato, é sempre lembrado como exemplo. Na época, a coligação que acabou levando o nome de Fernando Haddad (PT-SP) ao segundo turno, contava com apenas três partidos: PT, PCdoB e PROS. Mesmo assim, ungido por Lula direto da cadeia, Haddad obteve 31,3 milhões de votos (29,28% dos votos válidos) e passou para o segundo turno contra Jair Bolsonaro (à época no PSL), que venceu a rodada final.

Também foi conduzida por Gleisi a aliança de 2022, quando Lula reuniu nove partidos em torno de seu nome – a maior aliança fechada pelo petista ao longo da história – para disputar o Planalto. Ao PT se juntaram PCdoB, PV, PSB, PSOL, Rede, Solidariedade, Avante e Agir (antigo PTC). “Lula resolveu reforçar seu meio campo. Sabe que com ele não terá vacilo”, diz um petista muito ligado ao presidente. “Ela (Gleisi) conduziu a campanha vitoriosa de 2022 depois de ter construído o que era possível naquela situação de 2018”, emenda.

Gleisi já começou a fazer contatos com lideranças de partidos na Câmara e no Senado chamando para conversar. A tarefa inicial é amenizar resistências ao governo. Um líder aliado vê a atuação da agora ministra como algo natural da política, e aponta que as alianças serão construídas no decorrer deste ano e no início do ano que vem. “Não se pode adiantar esse apoio, mas é claro que a relação será construída ao longo do tempo, considerando vários fatores, inclusive as realidades locais”, diz esse líder.

Missão dada, missão cumprida

Ao nomear Gleisi para a função, Lula também busca compensar a missão dada a ela assim que ele se elegeu em 2022. Embora tenha coordenado a transição, a deputada ficou de fora do governo . O anúncio dessa decisão teve lances constrangedores. Ao final da primeira reunião de Lula com o PT para definir qual seria o quinhão do partido na Esplanada, o então presidente eleito lançou mão do tom paternal de criador da legenda, pousou a mão sobre a cabeça da presidente do partido e avisou: “Gleisi não será ministra. Eu penso que ela tem que ficar na presidência do PT”, disse o presidente, frustrando os que apostavam que Gleisi, que já foi também senadora e ministra da Casa Civil de Dilma Rousseff, teria um cargo importante no Planalto. A Casa Civil era a aposta.

Gleisi havia cumprido com louvor todas as missões assumidas até aquele momento, como a árdua articulação de 2018, a campanha para a libertação de Lula e a construção da federação de partidos e da política de alianças que levaram Lula ao palanque em 2022. Naquele momento, em vez de ser premiada pela lealdade a Lula, foi convocada a botar sua resiliência à prova. Ela não fez diferente. Aceitou a decisão de Lula de prorrogar seu mandato no  comando partido até este ano – um papel que não a agradou.

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