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A crise institucional que marca o Brasil

22 de dezembro de 2025
209.3k Visualizações
Tempo de Leitura: 6 Minutos
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O Brasil amanheceu nesta terça-feira, 25 de novembro de 2025, diante de mais um capítulo decisivo e controverso da vida política nacional. O ministro Alexandre de Moraes decretou o trânsito em julgado da condenação do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, além de outros condenados no processo referente aos atos de 8 de janeiro. A decisão encerra oficialmente a instância recursal dentro do Supremo Tribunal Federal e consolida penas que, para grande parte da sociedade, nasceram de um processo repleto de falhas, excessos e irregularidades jurídicas.

A condução desse julgamento sempre esteve no centro de debates acalorados entre juristas, parlamentares e analistas. Críticos apontam que o processo reuniu elementos incompatíveis com o devido processo legal, desde a ausência de contraditório pleno até procedimentos concentrados sob a autoridade de um único ministro. A comparação inevitável surge quando se observa o contraste: pessoas envolvidas em crimes graves seguem soltas, enquanto outros — incluindo um ex-presidente da República — foram condenados em um rito excepcional, questionado e sem precedentes na história recente.

O retrato da perseguição política se evidencia ainda mais quando se analisa o histórico recente entre Alexandre de Moraes e Jair Bolsonaro. Após a campanha eleitoral de 2022, o ministro aplicou ao então presidente uma multa de R$ 22 milhões, um valor considerado astronômico e totalmente incompatível para um caso em que Bolsonaro, simplesmente, recorreu ao TSE — um direito previsto em lei. A ironia do número “22” não passou despercebida, sendo o mesmo número da legenda do Partido Liberal (PL), partido de Bolsonaro.

A coincidência não parou por aí. A ordem de prisão de Bolsonaro pela Polícia Federal ocorreu exatamente em 22 de novembro, novamente remetendo ao número 22. Para muitos observadores, a repetição não soa casual; soa como deboche, como um recado cifrado que ultrapassa o limite da seriedade exigida de um magistrado. Soma-se a isso um episódio ainda mais grave: durante a leitura da sentença, Alexandre de Moraes ironizou, riu e deu gargalhadas, atitude registrada e amplamente criticada, absolutamente incompatível com a postura que se espera de um juiz. Para setores da sociedade, fica evidente que não se trata apenas de um processo; trata-se de uma disputa pessoal travestida de decisão judicial.

Enquanto isso, o sistema penal brasileiro segue demonstrando seletividade. Crimes violentos e escândalos de corrupção permanecem sem punição exemplar, enquanto um ex-presidente — que, para milhões, é inocente — recebe tratamento severo, desproporcional e politicamente contaminado. A sensação de perseguição não é uma narrativa vazia; é perceptível nos fatos, nos números e na postura das autoridades envolvidas.

Mas o cenário político sofreu hoje um abalo igualmente significativo. Os presidentes das duas Casas Legislativas, Davi Alcolumbre, no Senado, e Hugo Mota, na Câmara dos Deputados, anunciaram o rompimento com a liderança do governo Lula, representada por Lindbergh Farias na Câmara e Jaques Wagner no Senado. Esse movimento altera profundamente o tabuleiro político e abre uma brecha inédita no governo do PT, que agora perde sustentação nas duas frentes institucionais mais importantes do país.

Essa ruptura joga os holofotes diretamente sobre Davi Alcolumbre e Hugo Mota. A partir de agora, cabe a eles a possibilidade — e a responsabilidade histórica — de pautar a Anistia para todos os condenados do 8 de janeiro, incluindo Jair Messias Bolsonaro. O poder de decisão está em suas mãos: levar o tema ao plenário e permitir que o Parlamento faça o que o STF se recusou a fazer — devolver ao país a pacificação institucional que lhe foi negada.

No entanto, nada disso ocorrerá sem pressão popular. A história brasileira mostra que momentos decisivos exigem que a sociedade se faça ouvir de maneira clara e inequívoca. Não basta lamentar nas redes sociais. É preciso que a população vá às ruas, de forma pacífica, ordeira e constitucional, como ocorreu em 2013 com o movimento “Vem Pra Rua”, que transformou a agenda política do país.

Manifestações públicas, paralisações legais de setores da sociedade, presença física e coletiva: esses são instrumentos democráticos que sempre moldaram momentos de virada na história nacional. O Brasil encontra-se novamente diante de uma encruzilhada. O destino da anistia — e, por consequência, da liberdade de Jair Bolsonaro e dos demais condenados — dependerá da pressão legítima da sociedade sobre seus representantes.

Este 25 de novembro entra para os registros como um dia de ruptura, tensão e esperança. Ruptura, pela quebra da aliança entre o Congresso e o Planalto; tensão, pelo avanço de decisões judiciais contestadas; e esperança, porque se abre uma janela para que o Parlamento restabeleça a justiça que milhões acreditam ter sido negada.

O Brasil está diante de um momento histórico. Agora, mais do que nunca, o país aguarda a resposta de seus líderes — e a mobilização de seu povo.

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