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Lado Sombrio da USAID: interferência, golpes e desestabilização

22 de dezembro de 2025
331.5k Visualizações
Tempo de Leitura: 6 Minutos
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A Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) é frequentemente apresentada como uma instituição voltada para a ajuda humanitária e a promoção da democracia. No entanto, há inúmeras evidências de que, na prática, essa agência tem sido utilizada como um instrumento de interferência política, desestabilização de governos e financiamento de mudanças de regime ao redor do mundo.

Nos últimos anos, a USAID foi acusada de financiar a censura em diversos países. Um de seus programas globais reúne centenas de ONGs de censura em uma rede comum, com o objetivo expresso de pressionar governos estrangeiros a aprovar leis e regulamentações que restrinjam discursos nas mídias sociais.

A USAID, sob a justificativa de promover a democracia e o desenvolvimento, tem um histórico marcado por interferências políticas, golpes de Estado e censura. Seu possível envolvimento em desestabilizações no Brasil e no mundo levanta questionamentos sobre sua verdadeira função

Diante dessas denúncias, a administração Trump propôs o desmantelamento da USAID, argumentando que a agência servia como um instrumento de intervenção externa, frequentemente financiando grupos que desestabilizam regiões inteiras. O presidente Donald Trump criticou duramente a instituição, declarando que era administrada por “lunáticos radicais” e que financiava ONGs progressistas para desestabilizar a América Latina. Sua administração tomou medidas para reduzir o orçamento da USAID e redirecionar seus recursos.

O senador Marco Rubio também defendeu mudanças na USAID, afirmando: “Cada dólar que gastamos estará alinhado com o interesse nacional dos Estados Unidos. A USAID tem um histórico de ignorar isso e decidir que é uma instituição de caridade global. Esses não são dólares de doadores, são dólares de contribuintes. Devemos ao povo americano garantias de que cada dólar gasto no exterior esteja promovendo nosso interesse nacional.” 

A USAID teria um longo histórico de envolvimento em golpes de Estado e desestabilização política ao redor do mundo. Entre as acusações, está a suposta canalização de milhões de dólares para grupos de oposição que tentaram derrubar os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro. Além de treinar ativistas, a USAID teria financiado veículos de comunicação contrários ao governo e esteve diretamente ligada ao golpe fracassado de 2002 contra Chávez.

Durante o governo de Salvador Allende, no Chile, a USAID é acusada de direcionar recursos para campanhas midiáticas e grupos opositores antes do golpe de 1973, que resultou na ditadura de Augusto Pinochet. A agência teria ajudado a criar um estado de caos econômico, justificando a intervenção militar. Em 2013, o presidente Evo Morales expulsou a USAID da Bolívia após supostamente descobrir que a agência financiava movimentos separatistas nas províncias mais ricas, evidenciando seu papel na fragmentação e desestabilização de governos que não se alinhavam aos interesses dos EUA.

Em Cuba, a USAID teria criado a rede social ZunZuneo, semelhante ao Twitter, com o objetivo de atrair jovens cubanos e disseminar conteúdo antigovernamental para incitar protestos. No Haiti, a agência é acusada de desempenhar um papel crucial no golpe de 1991 contra o presidente eleito Jean-Bertrand Aristide, apoiando grupos de oposição e até esquadrões da morte. Aristide só escapou da prisão e possível execução graças à intervenção diplomática de EUA, França e Venezuela. No Afeganistão, sob o disfarce de ajuda humanitária, a USAID supostamente operava diretamente com operações de contrainsurgência. Seus agentes mapeavam comunidades, coletavam informações e ajudavam a identificar simpatizantes do Talibã para ataques com drones. Durante o regime militar brasileiro (1964-1985), documentos desclassificados revelam que a agência esteve envolvida em programas de segurança pública, treinando forças locais e promovendo métodos de controle social.

A USAID também teria influenciado a educação e a formação de novas elites no Brasil, promovendo uma ideologia alinhada aos interesses dos EUA. O financiamento de organizações da sociedade civil com viés político teria sido uma estratégia utilizada para moldar o debate político e social do país. Mais recentemente, a USAID foi acusada de financiar a censura no Brasil. Com o apoio da National Endowment for Democracy (NED), teria viabilizado mecanismos de restrição à liberdade de expressão nas redes sociais, limitando o debate público e impedindo vozes dissidentes de se manifestarem.

Além de sua atuação política e militar, a USAID também teria sido utilizada como ferramenta de inteligência e propaganda. Em diversos países, a agência teria criado e financiado meios de comunicação alinhados aos interesses dos EUA. Redes sociais clandestinas, campanhas de desinformação e financiamentos secretos a jornalistas e veículos de oposição fazem parte das estratégias usadas para influenciar a opinião pública e fomentar desestabilizações internas.

A USAID, sob a justificativa de promover a democracia e o desenvolvimento, tem um histórico marcado por interferências políticas, golpes de Estado e censura. Seu possível envolvimento em desestabilizações no Brasil e no mundo levanta questionamentos sobre sua verdadeira função. Diante dessas denúncias, cresce a necessidade de uma reavaliação de seu papel e do impacto que suas operações têm em diferentes nações.

Carlos Arouck, policial federal, é formado em Direito e Administração de Empresas.

 


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